David Uclés leva fado e literatura à Trindade

A conversa passou pela música, o realismo mágico e o impacto de Saramago na vida de Uclés

O escritor espanhol David Uclés foi uma das presenças mais aguardadas do segundo dia do BABELL. Na Praça da Estação de Metro da Trindade, numa conversa-concerto moderada por Pilar del Río, o autor de A Península das Casas Vazias mostrou que a sua relação com a palavra vai muito além da página escrita.

Antes de se dedicar à literatura, Uclés percorreu vários países como músico de rua. Demorou 10 anos a escrever o seu livro de estreia. Em palco, cantou fado e leu um parágrafo do seu romance em português, surpreendendo o público presente e confirmando a ligação afetiva que o escritor tem construído com a cultura lusófona.

Essa ligação tem nome e rosto: José Saramago. Assumido admirador do Nobel português, Uclés tatuou a assinatura do escritor a que chama "o seu mestre" no braço esquerdo - um gesto que diz tudo sobre a profundidade de uma influência que vai da escrita à pele.

Com A Península das Casas Vazias já publicado em Portugal e na 17.ª edição em Espanha, Uclés afirma-se como uma das vozes mais marcantes da nova geração literária europeia - uma escrita que combina realismo, memória histórica e imaginação formal, e que no BABELL encontrou a cidade certa para se apresentar ao público português.