Escrita e imaginação por Bruno Vieira Amaral e Djaimilia Pereira de Almeida
Conversa foi moderada por Tito Couto e incluiu leituras de Patrícia Queirós e Pedro Frias
O BABELL recebeu uma conversa entre os escritores Bruno Vieira Amaral e Djaimilia Pereira de Almeida, numa sessão moderada por Tito Couto e acompanhada por leituras de Patrícia Queirós e Pedro Frias. Ao longo do encontro, os dois autores partilharam com o público diferentes perspetivas sobre o processo criativo e o papel da imaginação no processo de escrita individual.
Um dos momentos centrais da conversa foi dedicado à forma como cada escritor se relaciona com o ato de escrever. Djaimilia Pereira de Almeida explicou que encara a criação literária como um processo livre, sem uma estrutura previamente definida, permitindo que cada texto encontre o seu próprio caminho. "Não faço planos a respeito da reforma dos textos e, portanto, os textos vão adquirindo a forma que têm de adquirir", realçou.
Por seu lado, Bruno Vieira Amaral partilhou a importância da leitura na descoberta de uma identidade literária. Para o escritor, é no contacto com a obra de outros autores que cada escritor encontra o caminho para desenvolver uma voz própria. "É a ler outros autores que chego a uma voz. Faz-nos procurar o nosso próprio ângulo”, disse.
A conversa passou ainda pela imaginação e pela forma como esta intervém na escrita. Bruno Vieira Amaral defendeu que a imaginação não surge apenas da invenção de mundos ou histórias, mas também da observação da realidade, sublinhando que a imaginação é sentar-se a descrever o que temos à nossa frente e, a partir do momento em que se repara, a imaginação já está a interferir.
A ideia reforçou uma das principais mensagens da sessão: a escrita nasce tanto da experiência como da forma única com que cada autor observa e interpreta o mundo que o rodeia.
Mais do que uma conversa sobre literatura, este encontro no BABELL foi um convite a pensar o processo de escrita como um exercício permanente de descoberta, onde a leitura, a imaginação e a escuta se cruzam para dar origem a novas histórias e a novas formas de olhar o mundo.