Héctor Abad Faciolince e Javier Cercas celebram a importância da palavra

A sessão decorreu na Praça dos Leões perante uma plateia de cerca de 1200 pessoas

Héctor Abad Faciolince e Javier Cercas protagonizaram no BABELL uma conversa marcada pela amizade entre ambos e por uma reflexão profunda sobre o lugar da palavra na literatura. Na sessão, que decorreu na noite de 26 de junho, na Praça dos Leões, perante cerca de 1200 pessoas, destacaram-se os elogios de Héctor Abad Faciolince a Portugal, que classificou como “o país mais amável da Europa”, e a reflexão de Javier Cercas sobre a liberdade criativa na escrita, evocando Miguel de Cervantes e a ideia de que “faz o que te apetecer, que marcou a sua visão de escrita.

A reflexão abriu espaço para uma conversa mais ampla sobre o processo criativo e a relação dos autores com a linguagem.

Héctor Abad Faciolince centrou a sua intervenção na natureza da palavra e na sua raridade, defendendo que a literatura nasce precisamente desse material único e irrepetível. Para o autor, a escrita é um exercício de transformação constante, em que a realidade é reorganizada pela linguagem, ganhando novos sentidos através da ficção.

Um dos momentos mais marcantes da sessão esteve ligado à obra de Javier Cercas, em particular ao seu livro “O Louco de Deus no Fim do Mundo”. O autor confessou a estranheza do convite que lhe foi feito pelo Vaticano para o escrever, sublinhando o seu caráter inesperado: "Não sei porque me disseram a mim".

Héctor Abad Faciolince trouxe igualmente para a conversa o peso da memória na sua escrita, lembrando o longo processo de criação do seu livro “Somos o Esquecimento que Seremos”, uma obra que levou cerca de 20 anos a ser escrita e que constituiu um tributo à memória pessoal e política do seu pai.

A conversa foi moderada por João Gobern e teve leituras de Pedro Almendra e Patrícia Queirós.