Margaret Atwood no BABELL: Feminismo, censura e IA

Margaret Atwood encheu a Praça dos Leões

O BABELL trouxe ao Porto uma das maiores escritoras da literatura contemporânea, Margaret Atwood. A Praça Gomes Teixeira transformou-se num palco literário para receber a romancista canadiana, numa sessão moderada por Tânia Ganho, com leituras de Mia Tomé.

A sessão centrou-se no percurso da autora e no papel da literatura num tempo de transformação social e política, mas rapidamente alargou horizontes. Atwood não poupou palavras ao falar sobre o estado atual do mundo: admitiu preocupação com o clima político dos Estados Unidos da América e com o ressurgimento das ideologias extremistas. Comparou este fenómeno a uma pequena semente, com quem ninguém se preocupa a princípio, e deixa crescer até ser tarde demais. Uma imagem que, numa semelhança perturbadora ao seu magnum opus, soou menos a figura de estilo do que a aviso.

A conversa abordou ainda o tema do feminismo, a inteligência artificial, a censura e a cultura do cancelamento.

Com a ironia que a caracteriza, Margaret Atwood revelou que usou um modelo de IA apenas uma vez na vida e deixou o seu veredito em poucas palavras: "É lixo que entra, lixo que sai". Quando pressionada a escolher o seu livro favorito de entre a sua vasta obra, a resposta foi fiel ao seu estilo: "Nunca faço essas escolhas, porque os outros vão saber e vão vingar-se".

A sessão terminou com uma ovação prolongada.